REALCES

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Intimidade

Depois de fazer os mais variados planos das principais espécies de Garças de Portugal, a missão chegou a um ponto que exige planos mais próximos, que revelem pormenores impossíveis vislumbrar à distância e que realcem detalhes de singular beleza. Chegou a altura de aumentar a dose de paciência, fazer aproximações lentas, muito lentas. Tão lentas que as aves nos tomem como fazendo parte da paisagem e nos deixem partilhar da sua intimidade.

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O Papa-ratos (Ardeola ralloides), mantém-se imóvel no cimo de uns nenúfares à espera que um peixe alheado do perigo passe à sua beira. Depois de se alimentar, esta pequena garça pode permanecer quieta durante incontáveis minutos. A fome está saciada e a urgência de caçar é menos premente. A arte de caçar com sucesso está directamente relacionada com uma ferramenta fundamental- o seu bico.

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Bem afiado, funciona como uma lança que trespassa as suas vítimas. Com os peixes atordoados, a próxima tarefas consiste em retirar o peixe que se encontra espetado e virá-lo cuidadosamente a fim de ser engolido pela cabeça (a favor da direcção das escamas do mesmo). Esta missão pode levar algum tempo e paciência mas termina sempre da mesma maneira.

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O tempo passa, o calor aperta e chega a hora de procurar outro refúgio de caça.

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No meio de uns caniços, o Papa-ratos “assenta arraiais” e prepara-se para uma nova jornada na procura de alimento.

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Volto a aproximar-me à velocidade de caracol e bem perto, sou observado intensamente. Vista de frente, percebo quão esguia é a sua cabeça e quão ameaçadora parece ser deste ângulo. A pouco mais do que dois palmos faço este retrato com a lente macro (Sigma 180 mm Macro) e afasto-me no desconforto de ver o elemento frontal da objectiva ser obliterado. Excesso de zelo, No fundo, sinto que nem deu pela minha presença.

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