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O voo do gigante

No cima da serrania, uma leve brisa quente sopra de Oeste e antevê um início de manhã agradável nas encostas da Serra de São Mamede. O que me traz a esse local encontra-se sobretudo a Este onde blocos de granito rochosos afundam nos vales. Algumas circulações de ar quente formam térmicas que trazem até mim alguns gigantes dos nossos céus. Apesar de bem camuflado, tenho quase a certeza que meia dúzia de Grifos que circundam a área já me avistaram há muito. Aproximam-se curiosos , observando-me de perto, tão perto, que a lente tele com focal fixa só consegue captar o pormenor das suas patas rugosas com garras de meter respeito.

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O voo é lento, ao “sabor do tempo” que lhes sobra enquanto não há sinal de alimento por perto. Algures lá em baixo, numa protuberância na rochas há um ninho feito de ramos frescos que são carregados aturadamente com o bico para o local.

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Ao longe avista-se Espanha e as zonas planas de montado onde procuram alimento. Do lado de Portugal, a Sul e Oeste de Portalegre, o alimento também começa a abundar. Recentemente, esta região foi classificada pelas autoridades sanitárias como zona remota para a recolha de gado morto e isso abriu uma janela de oportunidade para esta espécie que instintivamente começa a circular por zonas que até então não tinham alimento.

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À minha volta a actividade aumenta e os Grifos circundam-me como se avaliassem o meu propósito no local. Quando estão verdadeiramente perto, é audível o som do ar a passar pelas rémiges das asas e torna-se impressionante quando batem as mesmas para ganhar propulsão. Apesar de não termos a noção da sua dimensão quando voam bem alto tendo em conta que não existe termo de comparação (escala) , a sua envergadura pode variar entre os 2,30 m e os 2,70 m e, naquele local, essa imponência faz-se bem sentir.

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Ricardo Lourenço

Projecto Realces