REALCES

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Frio, Frio & Frio

Chego novamente à Albufeira do Caia para mais uma manhã de fotografia. Desligo o carro e saio para a rua. Os pulmões enchem-se de ar gelado e a minha motivação para despir as várias camadas de roupa quente para dar lugar ao fato de água esmorece um pouco. Os binóculos que trago ao pescoço são totalmente inúteis. A visibilidade não ultrapassará os 15 metros e a condensação que se formará no vidro frontal da lente será um handicap a ter em conta.

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Mesmo assim, entro na água e procuro afastar-me do local onde me encontro. Dentro do abrigo , olho por uma pequena janela que me liga ao exterior. A neblina vai-se adensando e perco a noção para onde me dirijo. Sem sons, sem linhas, sem luzes, sem qualquer tonalidade que me ajude a perceber a “envolvência”. Parece um cenário quase irreal e o único sentido que me vale é o tacto. Os pés calcam o solo e avançam cuidadosamente. Perder o pé nestas condições pode tornar a experiência muito mais perigosa. Sem ter a noção para onde nadar, posso deslocar-me para o interior de uma Albufeira com 2000 Ha. A pouco e pouco, começo a vislumbrar as primeiras formas: uma Garça-real conforta-me pela sua presença e transmite-me segurança. Com o passar do tempo a neblina começa a dissipar e torna-se mais fina deixando passar os primeiros raios de sol. Uma parede branca opaca dá lugar a uma parede brilhante de gotículas de água que refractem as primeiras luzes. Uma Garça-branca-grande estica as asas e prepara-se para iniciar a actividade.

Duas horas depois não há qualquer sinal de neblina mas a luz já vai alta. Algumas nuvens filtram a luz e permitem alguns retratos a uma Garça-real menos tímida.

A luz não permite muito mais e resta-me arrumar as coisas, sentar-me numa rocha enquanto bebo um café que me aquece e apreciar a beleza que me rodeia. As margens torneadas parecem peças de um puzzle chamado natureza.

Projecto Realces