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Preto no Branco

Muitos se poderiam perguntar como uma ave que apresenta só preto e branco como tons pode ser tão bela... A verdade é que o Chasco-preto tem tanto de belo como de singular. É uma ave de certa forma misteriosa, com conhecimento relativamente parco, dadas as difíceis condições que apresenta o habitat onde ocorre.  A reunião destas condições fez com que o  desta missão fosse um desafio, mas um desafio que encarei com bastante entusiasmo, de facto nunca tinha observado a espécie.

 

Assim, saí esta semana com o João - com quem partilho a missão - em direcção ao Douro Internacional para pormos em campo o plano que havíamos traçado. Com alguns pontos já planeados, passámos o dia em reconhecimento de terreno e de locais onde sabíamos ter ocorrido a espécie em anos anteriores, com o intuito de observar mais do que fotografar, de forma a percebermos os melhores locais, os indivíduos mais cooperantes, os melhores poisos, a melhor luz - pôr o preto no branco.

É logo num dos primeiros locais que encontramos um casal onde iremos apostar e passar a partir de agora algum tempo para retratar a espécie. A imagem anterior retrata o macho desse casal, indivíduo que se deixou de certa forma aproximar ainda que não estivéssemos camuflados ou escondidos, não permitindo registá-lo da melhor forma.

 

 Entre outros sucessos e insucessos, conseguimos assim escolher os locais e indivíduos que julgamos mais promissores, ora entre vinhas e campos de amendoeiras ou imponentes fragas.

Nestes habitats também observamos outras espécies enigmáticas, com quem o Chasco-preto compartilha habitat - o Grifo, o Britango - e outras mais comuns mas igualmente belas - o Melro-azul, a Pega-azul - simpáticos vizinhos que também retrataremos na missão. 

É tempo agora de voltarmos, reunirmos a informação conseguida e planearmos as próximas saídas de campo. O Douro Internacional espera-nos, e nós esperamos encontros mais próximos e íntimos com o Chasco-preto... Até já!

 

Hugo de Sousa

 

 

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